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A Jornada Rumo à Sustentabilidade dos Negócios Digitais


O medo é o grande inimigo da humanidade. Empresários, ainda hoje humanos, estão temerosos pela sobrevivência das empresas. Não sem razão. A transformação digital, que há poucos meses ainda parecia ser apenas uma “gripezinha”, agora é literalmente uma pandemia. Ela está levando boa parte das empresas da insolvência para o encerramento definitivo de suas atividades. Para aquelas com chances de sobrevivência, é necessário dar mais atenção aos critérios de sustentabilidade do negócio, principalmente ao negócio digital. 

 

Sustentabilidade é a capacidade de conservação de um sistema. Negócios sustentáveis possuem a capacidade de continuar operando por um período de tempo suficiente para se adaptar a novas condições de mercado. Por quanto tempo sua empresa poderá vender os mesmos produtos e serviços para os mesmo clientes? A atual crise sanitária mundial tem demonstrado o despreparo de muitas empresas. E mesmo agora, em suas ações para sobreviver, muitos negócios ainda não estão orientados para sustentabilidade. 

 

Vamos entende melhor isso voltando para 1890, início da era dos veículos a combustão. Naquela época as pessoas estavam acostumadas com carruagens conduzidas por um cocheiro e tracionada por cavalos. O temor pela manutenção de emprego dos cocheiros e de acidentes fez surgir algumas leis absurdas para retardar a viabilidade dos carros a combustão. Chegou-se ao pondo de que em algumas cidades veículo a combustão só poderia trafegar com motor desligado e tracionado por um cavalo ou com uma pessoa caminhando à frente sinalizando com uma bandeira vermelha. Obviamente isso não se sustentou por muito tempo, menos de uma década depois essas restrições começaram a cair. 

 

Meio século mais tarde, outro mito da indústria automobilística – Preston Tucker viu suas inovações serem barradas pelo medo das pessoas. Entre outras inovações ele adaptou cintos de segurança em seus veículos. Outras montadoras não gostaram da ideia: temiam que os americanos achassem os carros pouco seguros se lhes fossem pedido para usar cintos. Obviamente não foi possível sustentar isso por muito tempo. Hoje todos usamos cinto de segurança. 

 

Avancemos mais meio século. Já poucos anos após a virada do século, coincidindo com o início da minha carreira de professor universitário, observei de perto o medo de professores, alunos e gestores postergar a adoção de soluções de ensino a distância e online. Professores temiam, e ainda temem, serem facilmente substituídos. Alunos temiam não conseguir aprender por não ter o hábito de estudar fora de sala de aula (mesmo aqueles dormiam durante as aulas!). E gestores temiam que a inclusão de EAD pudesse reduzir o número de alunos matriculados. Hoje está evidente que o EAD e o ensino online substituirá a maior parte do ensino presencial. Você ainda duvida disso?

 

Há quatro anos iniciei um projeto de substituição de agendas escolas (em papel) na rede de cuidados maternal e ensino infantil por uma versão digital. Houve grande medo das escolas em adotar essa inovação e medo dos pais em não ter um meio adequado para acompanhar a rotina das crianças durante a permanência na escola. Foi Interessante observar que os pais de primeira viagem já não tinham esse medo. Hoje, praticamente toda escola usa aplicativos para enviar recados aos pais, de maneira até rudimentar. Poucos gestores escolar perceberam que a sustentabilidade (para a escola) virá em utilizar aplicativos para oferecer uma nova experiência de relacionamento com as famílias. 

 

Como consultor em inovação vivenciei vários casos em que o medo prejudicou a inovação e comprometeu negócios aparentemente sustentáveis. Foi o proprietário da lanchonete que tinha medo de perder clientes se tentasse vender através de Apps. A proprietária da loja de calçado que temia perder dinheiro e preferia fazer esforço para trazer as pessoas até sua loja física ao invés de aprender a vender online. A indústria cooperativa que temia perder seus clientes se implantasse um meio de relacionamento digital com seus clientes. As academias que tinham tanto medo das grandes redes que não estavam percebendo que os aplicativos lhes estavam roubando os clientes. Profissionais de fotografia que temiam perder mercado se começassem a compartilhar suas experiência através de cursos – “…ainda mais que o mercado estava prostituído, qualquer um com um celular se acha fotógrafo profissional.”

 

Nesses dias de isolamento social e lockdown, comerciantes correm para adotar plataformas de ecommerce, fazer marketing digital e com isso conteúdo. Seja bem vindo ao mundo das startup. Combinar produtos, serviços e conteúdos é abrir a oportunidade de levar uma proposta de valor inovadora aos seus clientes. Usar a tecnologia das plataformas para alterar seus modelo de negócio permite oferecer uma nova experiência ao cliente. Tudo isso é ótimo.

 

Agora vamos pensar nisso de forma sustentável. As alterações que você está fazendo hoje é apenas uma gambiarra (ou recurso técnico alternativo) para sobreviver a pandemia (e padecer logo em seguida), ou fazer parte de uma nova estratégia de negócio? Você está incorporando produtos digitais para informar, educar e transformar seus clientes ou apenas usando para conseguir curtidas nas redes sociais? Você está introduzindo novas tecnologias e elevando significativamente o nível de automação do seu negócio, ou apenas usando o WhatsApp para  atender temporariamente alguns poucos de seus clientes?

 

E o mais importante de tudo quando o assunto é sustentabilidade do negócio digital: a nova cultura de seu negócio. Você e seus colaboradores estão se adaptando e evoluindo à uma nova cultura digital ou após a pandemia há a expectativa de voltar tudo como era antes. O que você acredita que será mais sustentável?  

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